ok
         
 
VOCABULÁRIO
 
ARQUIVO
 
Redes: Processos Criativos
10.07.2008 por admin

Ambos os artistas mostraram o quão necessário é num processo criativo a retomada de antigos projetos/ trabalhos e como estes jamais estão terminados.

Os trabalhos procuram sempre dar margem a outros, isto é, nunca se fecham estando sempre num processo. A relação estabelecida com o outro e com o local é bastante forte no caso de Fajardo uma vez que em seu ateliê não observamos nenhum tipo de material espalhado.

Estabeleço então uma conexão com o ateliê de Fajardo com uma colocação de Evandro Carlos Jardim em uma palestra realizada no ano de 2008 no momento em que este diz que “o ateliê está dentro de você”, isto é, sem querer desmerecer nenhum tipo de arte, mas sim pensar a respeito de se fazer arte. Será mesmo que para se criar, para se fazer arte é necessário um espaço imenso, composto com uma quantidade e variedade de ferramentas? Será que não podemos criar dentro da nossa mente e fazer com que isso seja expandido de uma vez? Talvez seja um pouco mais complexo, porém podemos pensar em por exemplo um espaço e em criar uma obra para lá, ou seja, um site specific.

Em contraponto, observamos a artista Maria Bonomi, muito conhecida por suas xilogravuras, em meio a um enorme ateliê. Este que já não se contenta em ter um local destinado, mas invade toda a casa tornando esta todo ele. Entre xilogravuras, ferramentas e tintas, objetos casuais de um ateliê, Bonomi nos conta como descobriu e sobre o tempo que levou até ter consciência de quê o fato importante no seu trabalho é a matriz.

Esta é a principal fonte do trabalho, por ser ali que estão marcados os seus gestos, ou seja, estão impregnados a força utilizada para manusear o objeto, o traço ou a marca que resultou de um movimento.

A memória esta contida na matriz de madeira, superfície que possibilita a serialidade das cópias e o desdobramento do seu trabalho. A reflexão sobre o fazer, conduziu a artista a um pensamento de que o trabalho na realidade esta no gesto, na marca, deixada na superfície o que logicamente amplia o leque de possibilidades, pois não só é necessário trabalhar com a madeira, pode-se também estabelecer uma ponte com a própria argila, feito que esta já realiza.

Por Camila Marangão

 
 
CATEGORIAS
LINKS