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Dois universos artísticos em diálogo
31.05.2008 por admin

As conexões e as referências artísticas que formam a rede de construção de uma obra são singulares, componentes particulares em cada artista. Cada criador tem a sua forma própria de estabelecer seus critérios, seus caminhos e suas escolhas no processo criativo. O painel Redes da Criação, com Daniela Kutschat e Kiko Goifman, intermediado por Cecília Salles, aproximou os procedimentos criativos dos dois artistas. Nesse diálogo, os artistas debateram sobre seus trabalhos, dentro de uma perspectiva da criação.

Para Daniela, “viver é ter memória“, e essa é uma das grandes questões recorrentes em seus trabalhos. Além disso, ela escolheu por não se restringir a nenhuma “categoria” artística específica. A artista age entre os meios, nas visualidades e possibilidades do espaço digital, explorando códigos, signos, linguagens, distorções cognitivas e materializações de conceitos (física e matemática) e idéias.

Daniela propõe obras multisensoriais, com ilusões sonoras, sensações visuais de vertigem, espacialidades desconstruídas e processamento de imagens justapostas. Segundo a artista, o seu interesse por conceitos da física e pela possibilidade de visualização de fenômenos físicos - como as dimensões subatômicas, a geometria não-euclidiana e o atrator de Lorentz - a levam a construir sistemas com hardware, software e sensores. São obras para se experimentar mudanças na percepção cognitiva e sentir transformações sensoriais.

Kiko Goifman trabalha com um “cinema expandido”, multifacetando os meios e sugerindo intermediações nas práticas artísticas. As obras de Kiko são híbridas e seus procedimentos de construção inserem visões e especificidades de muitos meios. O artista trabalha com as restrições das práticas, explorando possibilidades de linguagem e mesclando as visualidades: “O tempo todo, eu trabalho recriando e destruindo máquinas e explorando essas experiências. (…) Eu quero enterrar várias mídias e ressuscitar outras”.

Para Kiko, é interessante trabalhar com restrições e no “desconforto”. Seus trabalhos sempre contam com co-autores e com profissionais em áreas não específicas, realizando processos não habituais. Há sempre, segundo o artista, uma liberdade de contribuição interdisciplinar, que é fundamental e enriquecedora para suas obras.

Kiko sempre incorpora em seus “produtos finais” elementos do processo de criação. Para ele, muitas vezes o melhor das obras acontece por trás das câmeras ou são “restos” que não seriam utilizados. Também insere as pesquisas, os relatos, as referências e elementos de pré-produção, pois segundo ele fazem parte não só da elaboração do trabalho, mas também, da “obra finalizada”.

Daniela e Kiko descreveram seus trabalhos como imersivos, cada um dentro de uma especificidade. Daniela busca obras que convidem a novas experiências sensoriais e Kiko quer através de suas narrativas audiovisuais envolver o público em sensações propostas pelos dispositivos da obra.

 
 
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