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A rua embrenha-se pelo escritório
13.06.2008 por admin

Em nossa proposta de caminhar do ambiente social para aquele de natureza mais individual, pode-se dizer que, de modo tanto metafórico quanto literal, a rua vai para dentro do escritório de trabalho. O termo escritório está sendo usado em referência a qualquer local de trabalho, independentemente do nome que receba: ateliê, estúdio, redação, sala etc.

O artista observa o mundo e recolhe aquilo que, por algum motivo, o interessa. Trata-se de um percurso sensível e epistemológico de coleta: o artista recolhe aquilo que de alguma maneira toca sua sensibilidade e porque quer conhecer.

Às vezes, os próprios objetos, livros, jornais ou imagens que pertencem à rua são coletados e preservados. Em outros casos, é encontrada uma grande diversidade de instrumentos mediadores, como os cadernos de desenhos ou anotações, diários, notas avulsas para registrar essa coleta que pode incluir, por exemplo, frases entrecortadas ouvidas na rua, inscrições em muros, publicidades, fotos ou anotações de leitura de livros e jornais.

Esse armazenamento parece ser importante, pois funciona como um potencial a ser, a qualquer momento, explorado; atua como uma memória para obras. Assim os críticos de processos conhecem muito sobre o percurso criador nos registros, ou seja, nas extensões de um pensamento em construção. Sob esse ponto de vista, tanto escritórios como anotações desempenham essa função e se transformam em eloqüentes documentos dos processos.

Volto a ressaltar que o mais importante para compreender os mecanismos criativos é o estabelecimento de relações que o crítico faz entre esses dados e as obras em construção. Só assim temos acesso aos modos de aproveitamento desse entorno.

É importante saber o que é aproveitado e o que não é, e de que maneira se dá a transformação dessa coleta quando passa a pertencer à obra em criação. Por um lado, interessam-nos os procedimentos cognitivos responsáveis pelo desenvolvimento do pensamento; assim como os recursos literários, plásticos, musicais etc. responsáveis pela natureza da apropriação.

Muito da criação se dá nesse campo de interação que se estabelece na relação com o outro, tomado em sentido vasto.

(por Cecília Salles)

 
 
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