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“Licença eu peço ao dono da fala”…
10.06.2008 por admin

Ricardo Aleixo entra, acomoda-se em seu banquinho e ali abre sua “bula”: “Grande parte do meu trabalho discute a arte, o processo e as tentativas de diálogos com outros criadores”.

Entre gravações, improvisos e inserção de textos, Ricardo busca sempre a relação com outras áreas artísticas. Ele define seu trabalho como multimidiático, pois usa vários meios e diz que é também intermidiático, como Julio Plaza explica, pois se aproveita das contaminações dos meios. Sobre a justaposição de linguagens que atuam em sua performance, ele diz: “Escolham algum ponto e deixem o resto se perder. Se perder o resto, talvez seja bom”.

Segundo o poeta e designer sonoro, sempre há livros de outros autores em sua mesa de trabalho, aos quais ele possa sempre recorrer. Ricardo é um “artista-editor”, propondo trocas de generosidades e autorias sempre compartilhadas.

Para Ricardo a arte é como supõe Leminski: uma propriedade coletiva de bens de invenção. Assim, ele se apropria de restos de obras, de experimentações e de propostas alheias, para construir suas reflexões. “Eu não sofro a influência de outros artistas. Eu gozo”, explica. E ainda completa: “Eu trago todas as minhas referências comigo. Minha mãe, minha filha, meus livros, meu violão, Cage, Exu e Duchamp vieram comigo”.

Ricardo dispensa a noção de separação entre público e artista. Para ele, o público é também um “performador”, como ele prefere chamar. E , assim, o público entra participativamente em seus espetáculos, sendo co-criador e co-autor.

Na performance “Nem uma única linha só minha”, com participação do bailarino Alexandre Tripiciano e do músico e artista plástico Benedikt Wiertz, Ricardo diz que todos se aproximam de um transe e cada “performador” traz a sua história.

A interação e as trocas com todos os profissionais envolvidos, como os técnicos de som, por exemplo, são sempre elementos agregadores de experiências e constituidores da performance. Para ele, todos fazem parte e criam o espetáculo juntos, interagindo consigo mesmo, com os outros performadores, com os “objetos inanimados” e usando seus corpos: “O corpo é máquina. Não há cisão nem hierarquia entre o corpo e a máquina no âmbito da performance”.

 
 
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